Apostila de Hermenêutica Jurídica #7
Transcrição do e-mail:
"Prezados professor@s, alun@s e secretária do curso de Direito do CAJ-UFG,
Escrevo para trazer boas notícias: o Diário da Manhã, edição de 4 de novembro de 2010, estampou na primeira página que a UFG realizará o maior vestibular de sua história. Ensino público, de qualidade, gratuito e laico finalmente são reconhecidos como os grandes trunfos da UFG. Dos quatro adjetivos, sem dúvida a qualidade é a que sai ganhando. Ao contrário do que muitos pensam, o ensino gratuíto, por si, não atrai alunos - se fosse assim, certamente nossas escolas públicas de ensino elementar e médio estariam abarrotadas por todas as classes sociais do país, o que não é bem o caso. É a qualidade do ensino, somente possível com os melhores professores, mais bem titulados e escrutinizados através de concursos públicos, e os melhores alunos, escolhidos por vestibular concorridíssimo, o grande atrativo da Universidade Pública Brasileira. É sobre o último aspecto que gostaria de tecer alguns comentários. O aumento da procura no vestibular refletiu em muitos cursos, mas especialmente fez saltar aos olhos as grandes vedetes da Universidade: os cursos de Medicina, Engenharia e Direito foram, em todos os campi, os mais procurados pelos alunos oriundos do 2o grau e "treineiros". Especificamente no campus Jataí, e conforme tabela em anexo, nossa relação aluno-vaga se encontra em 10,23, muito próxima de Cidade de Goiás (10,80), ainda que distante de Goiânia (28,17 no noturno). Não pensem, entrentato, que tal procura no vestibular é saudada por todos os setores da comunidade acadêmica. As instituições privadas de ensino temem que levemos os melhores alunos - o que, de fato, ocorre. Nestas instituições em geral a possibilidade de promover a elevação educacional de alunos com formação deficitária não é vista como uma oportunidade, mas como uma perda: afinal, suprir carências da educação básica e fundamental no ensino superior exige gastos que nem sempre as mantenedoras privadas estão dispostas a assumir. Entretanto, no interior da universidade pública também ouvimos críticas: em reuniões do Conselho Superior do CAJ a Coordenação do Curso de Direito teve oportunidade de escutar de colegas de outros cursos que o direito lhes "roubava" candidatos no vestibular. Não acreditamos nessa hipótese, apesar de popular no campus. Cremos que para cursar Direito - e perdoem-me o trocadilho - o aluno precisa de muito apreço à leitura e à escrita, além de um senso crítico apuradíssimo e afinidade com o universo formalíssimo das leis e rituais do judiciário. Somente os que realmente estabelecem empatia com o direito são capazes de suportar a carga de leitura e responsabilidade exigidas durante os 5 anos de curso. Além disso, a UFG admite que os alunos possam descobrir suas vocações posteriormente ao ingresso. Neste sentido, lhes dá a oportunidade de solicitar transferência para aquelas áreas para as quais possuem vocação, o que desmonta o argumento de que o curso de direito usurparia candidatos de outros cursos.
Senhor@s, a despeito das críticas, os cursos de direito na UFG - e do CAJ em especial - saem prestigiados. Convido todos a comemorar essa boa notícia que significa a vitória do ensino público, de qualidade, gratuíto e laico.
Saudações Acadêmicas,
Profa. Dra. Maria Cristina Cardoso Pereira
coordenadora do curso de direito do CAJ-UFG"
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